Hospital de Loulé

Diabetes e alimentação

5 de Fevereiro de 2019

Diabetes e alimentação

Nem sempre é possível evitar a diabetes, mas a educação para uma alimentação saudável é uma das armas mais eficazes para combater aquela que já é considerada a epidemia do século XXI
Diabetes e alimentação

Se a diabetes mellitus tipo 1 é de natureza autoimune, uma dieta saudável e a realização periódica de exames são os melhores aliados na prevenção da diabetes tipo 2, que representa a esmagadora maioria dos casos e cuja incidência continua a aumentar. Em Portugal, estima-se que esta doença crónica afete mais de 1 milhão de pessoas, embora se encontre ainda subdiagnosticada, com cerca de metade dos doentes a desconhecerem que sofrem da patologia. Segundo a Endocrinologista Raquel Espírito Santo, a diabetes mellitus (DM) tipo 2 representa cerca de 90% de todos os casos e está muitas vezes associada à obesidade. “Adotar um estilo de vida saudável, através da prática de atividade física regular e alimentação equilibrada são as pedras basilares da prevenção e tratamento da DM tipo 2, sendo importante consultar o médico e realizar os exames de diagnóstico indicados”, refere a especialista do Hospital de Loulé. Uma alimentação saudável e equilibrada, em conjunto com a atividade física e a medicação, são os principais pilares da terapêutica da diabetes, embora a alimentação não seja muito diferente daquela que qualquer pessoa deve fazer, mesmo sem a doença. Atualmente, a alimentação das pessoas com diabetes não tem de ser restritiva e monótona como era há uns anos. Contudo, a medicação será muito mais eficaz se a pessoa tiver forma de aprender a melhorar os seus hábitos alimentares. 

Entrevista

A Endocrinologista Raquel Espírito Santo alerta para a importância do diagnóstico precoce e do controlo adequado da diabetes para evitar complicações, como o risco aumentado de doenças cardiovasculares

O açúcar é o pior inimigo da diabetes, mesmo quando se tratam de açúcares de absorção lenta, como os que estão presentes no pão e na massa?

Os hidratos de carbono complexos não devem ser eliminados da alimentação, devemos sim focar-nos nas fontes mais saudáveis e na quantidade ingerida. A alimentação da pessoa com diabetes deve basear-se numa alimentação saudável, que não deve diferir grandemente da alimentação recomendada para a população em geral, devendo ser variada e equilibrada. É importante privilegiar o consumo de hidratos de carbono provenientes de fontes como cereais integrais ou pouco refinados. 


No que respeita à diabetes tipo 1, não há forma de prevenção. Os cuidados a ter e as formas de tratamento são idênticas?

Quer a diabetes tipo 1 quer a tipo 2 são doenças crónicas. No caso da diabetes tipo 1, não há medidas que possam ser tomadas no sentido de prevenir o seu aparecimento uma vez que se trata de uma doença autoimune, isto é, caracterizada pela presença de anticorpos responsáveis pela destruição das células beta do pâncreas. As pessoas que têm esta forma de DM tipo 1 necessitam, para alcançar o controlo glicémico, de recorrer a múltiplas administrações diárias de insulina, avaliar a glicemia capilar com frequência, monitorizar a ingestão de alimentos e gerir a atividade física. A diabetes tipo 2 trata-se habitualmente com comprimidos, mas a insulina também poderá ser utilizada quando necessário.


Como é feito diagnóstico da doença, que numa fase inicial é assintomática?

Na maioria das vezes os sintomas na DM tipo 2 não são graves, podendo até estar ausentes, e consequentemente pode estar presente durante muito tempo uma hiperglicemia suficiente para causar alterações patológicas. É possível, em alguns casos verificar a presença de alguns sintomas como vontade de urinar em grande quantidade e mais vezes, sede constante e intensa, fome constante e difícil de saciar, sensação de boca seca e fadiga. 


Que hábitos devem a família e as escolas incutir para prevenir a diabetes tipo 2, cuja incidência está a aumentar entre as crianças?

O aumento global da prevalência de obesidade, sedentarismo e de um maior consumo de calorias, factos que predispõem ao desenvolvimento de diabetes, justificam o aumento da incidência de DM tipo 2 abaixo dos 18 anos. É fundamental promover o aumento da literacia alimentar e nutricional da população, e evitar a venda de alimentos com alto teor de açúcar, gordura e sal nas escolas.


Quais são as complicações mais comuns da diabetes?

Os efeitos a longo prazo da DM incluem o desenvolvimento progressivo das complicações microvasculares, como a retinopatia diabética com potencial cegueira, nefropatia que pode conduzir a insuficiência renal, e/ou neuropatia com risco de ulcerações nos pés, amputações e sinais de disfunção autonómica, incluindo disfunção sexual. As pessoas que sofrem de diabetes têm um risco aumentado de doença cardiovascular, vascular periférica e cerebrovascular.


Qual o impacto do tratamento da diabetes no dia-a-dia dos doentes?

A gestão de uma doença crónica como a DM pode ser verdadeiramente desafiante. A educação terapêutica em diabetes é fundamental, sendo muito importante que as pessoas com diabetes se envolvam no seu próprio tratamento, com vista a uma maior e melhor qualidade de vida. Deverá ser promovido o papel da família na prevenção e educação para a diabetes.


Quando os doentes são crianças ou jovens, a falta de acompanhamento especializado nas escolas pode afetar o sucesso dos tratamentos?

O acompanhamento adequado de crianças e jovens com DM tipo 1 é essencial para a otimização do controlo metabólico. A Direção-Geral da Saúde, por proposta do Programa Nacional de Saúde Escolar e do Programa Nacional para a Diabetes, em articulação com a Direção-Geral de Educação, emitiu uma orientação que estabelece que a resposta a crianças e jovens com diabetes mellitus tipo 1 passa por uma comunicação e complementaridade entre criança ou jovem/família/saúde/educação”. 




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