Hospital de Loulé
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Regresso às aulas

14 de Novembro de 2018

Regresso às aulas

Retomar a rotina escolar exige organização familiar, mas há estratégias que podem ajudar a preparar o ano letivo e a garantir maior sucesso escolar. O Pediatra Amílcar Simião Estrada revela à be healthy como tornar mais fácil o regresso às aulas e motivar as crianças para o estudo
Regresso às aulas

Que conselhos dá aos pais para tornarem o regresso às aulas um momento natural?

O regresso às aulas representa o fim das férias e, para muitas famílias, momentos de stress. Aconselha-se uma relativa organização familiar no que diz respeito aos horários dos filhos versus horários de trabalho dos pais. Isto inclui não só a organização das atividades escolares, como dos tempos livres e das atividades desportivas. No caso de ser o primeiro ano de escolaridade, os pais devem contribuir para promover o convívio dos filhos com as outras crianças e acompanhá-los nos primeiros dias de entrada na escola.

Que estratégias podem os pais adotar para minimizar as dificuldades das crianças em adaptarem-se à rotina depois das férias?

Os pais podem minimizar as dificuldades no regresso às aulas, adaptando progressivamente os hábitos da vida familiar aos horários escolares, por exemplo, impondo horários de deitar e acordar, assim como horários relativos ao uso da televisão, computadores e das refeições. É fundamental para que as crianças tenham sucesso escolar que estejam inseridas num ambiente familiar que lhes permita ter uma alimentação equilibrada, um sono tranquilo e hábitos saudáveis.

Quais as consequências que as noites mal dormidas podem ter no desempenho escolar das crianças?

No que se refere ao sono, o número de horas de sono, a sua qualidade, o ritmo e a higiene do sono são muito importantes no desempenho escolar das crianças. Todos sabemos que as noites mal dormidas não permitem que a criança tenha a mesma concentração e atenção nas aulas, levando a um fraco rendimento escolar. O hábito de a família se deitar tarde não deve servir como exemplo para os filhos, que devem ter horários diferentes. 

Como podem os pais ajudar a controlar a ansiedade na altura dos testes?

A melhor forma de ajudar a minimizar os “nervos” passa pelos pais valorizarem as capacidades cognitivas dos filhos, passando-lhes a mensagem de que como estudaram as matérias com tempo e regularmente, certamente que os testes irão correr bem. O mais aconselhável é estudarem as várias matérias das diferentes áreas regularmente e não apenas nas vésperas dos exames ou dos testes.

Até que idade devem os pais ajudar os filhos com os trabalhos de casa?

Os pais devem sempre ajudar os filhos, quando podem e sabem, na realização dos trabalhos de casa. Mas aqui a sua ajuda deve ser entendida como um estímulo e não como uma substituição nessa realização. Naturalmente, devem estar em articulação com os processos educativos das escolas e não ensinarem à maneira do “antigamente”, dizendo que “no meu tempo” era desta ou daquela forma. 

Como podem os pais motivá-los a criarem hábitos de estudo?

Costumo dizer aos meus doentes que, na vida, há tempo para tudo: estudar, brincar, praticar desporto e, o mais importante, a organização do número de horas de estudo, que varia consoante o número de matérias e das dificuldades dos alunos. O local de estudo deve ser um espaço tranquilo, agradável e decorado de acordo com o gosto de cada criança. 

Que cuidados devem ter os pais na preparação dos lanches e pequenos almoços, no sentido de garantir uma alimentação saudável?

Devemos aconselhar o aumento do consumo de pão, leite, iogurtes e fruta e a diminuição do consumo de sumos, leites achocolatados, doces e salgados. Os pequenos almoços devem ser preparados em casa e deve tratar-se de uma refeição com a presença dos pais, na medida do possível.  

A importância da postura 

No regresso às aulas deve insistir-se na importância de manter uma boa postura para evitar futuros problemas nas costas. O especialista em Medicina Física e de Reabilitação António Sousa Fernandes adianta à be healthy como promover a postura certa e usar corretamente as mochilas

Qual é o peso máximo que uma criança pode suportar nas costas, relativamente ao seu peso?

As recomendações da Organização Mundial de saúde (OMS) e da Direção Geral de saúde (DGS), preconizam que as crianças não devem carregar mais de 10% do seu peso corporal. Ou seja, para uma criança com 40 kg, a mochila não deve ultrapassar 4 kg.

Qual a forma mais adequada para carregar as mochilas e, assim, prevenir as lesões? Ou é preferível o uso de ‘trolleys’?

Os trolleys ou mochilas com rodas, são preferíveis pois não provocam peso nas costas. Assim, evita-se mal-estar nos alunos a curto prazo e menos lesões a médio/longo prazo. O trolley deve, contudo, estar ajustado à altura da criança, para que não provoque uma curvatura lateral da coluna.

Quais são as lesões mais frequentes associadas ao uso incorreto das mochilas, na idade escolar?

As mochilas demasiado pesadas provocam um desgaste acrescido na coluna e isso pode ter implicações no futuro. E se forem usadas num só ombro, a situação agrava-se, podendo provocar uma escoliose funcional. 

O uso inadequado das mochilas pode, em conjunto com outros fatores, aumentar o risco de desenvolver distúrbios nas costas na idade adulta?

Na fase a que corresponde a idade escolar, verifica-se uma adaptação das estruturas anatómicas, músculoesqueléticas. Nesta fase, podem começar a surgir alterações posturais que, numa fase inicial, são habitualmente reversíveis com terapia adequada (pilates, natação, fisioterapia), mas que podem tornar-se definitivas na idade adulta.

A adoção de uma postura correta no dia a dia é mais importante para prevenir distúrbios do que o uso inadequado das mochilas?

As duas situações são importantes. Deve tentar evitar-se um ciclo vicioso. A postura ao andar, quando se está sentado e a desenvolver diversas atividades, deve ser a mais adequada. Em associação, o peso das mochilas deve ser controlado, uma vez que é este peso que condiciona a má postura que por sua vez, pode levar aos distúrbios, musculoesqueléticos.

Que medidas poderiam as escolas adotar para minimizar o impacto, tanto do peso das mochilas, como da má postura nas aulas? 

Os pais devem adquirir materiais mais leves no momento da compra e supervisionar a preparação da mochila. O peso das mochilas pode ser um fator determinante para as dores nas costas, mas não é o único fator. O formato e o facto não usarem as duas alças, são outros dos fatores.

Em que medida veio o uso excessivo de telemóveis, tablets e computadores agravar os problemas de má postura?

O uso destes dispositivos faz com que se adote uma postura prejudicial, uma vez que o pescoço permanece curvado por um período de tempo significativo. Esta postura incorreta pode implicar dores crónicas nesta região, principalmente, pela contração prolongada do músculo trapézio. As queixas têm aumentado nas idades jovens, sobretudo nas férias escolares.

Sabendo que o seu uso deve ser moderado, qual a forma correta de usar estes dispositivos? 

Uma das indicações é fortalecer a musculatura do pescoço e dos ombros, para além, da manutenção de uma postura correta, que implica alinhar as orelhas com os ombros e manter as omoplatas retraídas, no momento de utilização dos dispositivos.

Uma musculatura fortalecida diminui a probabilidade de desenvolver distúrbios?

Sem dúvida que a prática de exercício físico é fundamental para o fortalecimento dos músculos, para o crescimento dos ossos, para a manutenção de uma boa postura sem retrações musculares e para a correção da marcha. A preparação física, é a melhor prevenção. 


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