Hospital de Loulé

O que muda com o estado de mitigação

30 de Março de 2020

O que muda com o estado de mitigação

Portugal entrou no dia 26 de março na fase de mitigação da doença covid-19, a mais grave em termos de contágio, correspondendo, por isso, ao nível de alerta e resposta mais elevado. Esta fase é ativada quando há perigo de transmissão local, em ambiente fechado, ou transmissão comunitária. Mas, afinal, o que é que muda nesta fase?
O que muda com o estado de mitigação

A definição de caso suspeito passa a ser mais abrangente

Basta ter febre, tosse persistente ou dificuldade em respirar. São considerados suspeitos de doença com COVID-19 todos os casos em que se tenha uma temperatura corporal igual ou superior a 38ºC, tosse persistente ou dificuldade respiratória. Nesse caso, as pessoas devem ligar para a Linha de Saúde 24 para serem acompanhadas.
Todos os doentes suspeitos devem ser testados para o novo coronavírus
Antes, todos os doentes suspeitos também eram testados para o SARS-CoV-2 mas, como o critério para que um caso fosse considerado suspeito era mais restrito. Há seis grupos prioritários para a testagem:
doentes que necessitem de internamento hospitalar
recém-nascidos e grávidas
profissionais de saúde
doentes que pertençam a grupos de risco
doentes que estejam em contacto regular com pessoas em grupos de risco
e quem esteja, à partida, mais vulnerável — como os residentes num lar ou em convalescença

São estabelecidos quatro patamares de intervenção

1 - os doentes ligeiros, que ficam em casa
2 - os moderados, que irão ao centro de saúde
3 - os graves, mas não críticos, que serão encaminhados para os hospitais
4 - os críticos, que serão internados
1 – Doentes ligeiros
Foi criada uma nova plataforma, chamada Trace-COVID, para fazer a gestão de doentes em autocuidados (a recuperar em casa) e em ambulatório. Esta página deve ser utilizada pelos profissionais de saúde dos cuidados de saúde primários e das equipas de saúde pública.
Quem ficar em autocuidados, deve ficar em isolamento no domicílio e ser avaliado por telefone por uma unidade de saúde familiar ou por uma unidade de cuidados de saúde personalizados. Todos são submetidos a teste laboratorial em regime de ambulatório, informados sobre o resultado assim que ele for conhecido e aconselhados com novas medidas, conforme o resultado do teste.
Caso um doente suspeito com covid-19 fique a recuperar em casa, vai receber um SMS que lhe permitirá pedir um teste num dos laboratórios da rede identificada pela DGS. O laboratório deve agendar a colheita das amostras para teste — que pode ser feita em casa ou numa zona reservada para doentes de covid-19 naquele laboratório — num período máximo de 48 horas. Entretanto, o médico de família deve contactar o doente até 24 horas após o contacto com a Linha SNS24 através da plataforma Trace-COVID.
Caso o resultado do teste laboratorial confirme uma infeção com o SARS-CoV-2, os doentes em domicílio devem manter-se em casa o continuar a cumprir as orientações oficiais da DGS. Se o resultado do teste for negativo, o doente deverá seguir as indicações da unidade de saúde familiar. E será retirado da nova plataforma.
No entanto, a forma como se determina se o doente está recuperado da covid-19 não muda. Os doentes em domicílio que deixem de ter sintomas da doença devem ser testados novamente entre o 10.º e o 14.º dias após o início dos sintomas. Só é considerado curado caso obtenha dois testes negativos feitos com, pelo menos, 24 horas de diferença.
2 – Doentes moderados
As unidades locais de saúde vão passar a ter, pelo menos, uma área dedicada exclusivamente aos doentes com covid-19, que deve estar bem identificada, com sinalética apropriada.
Se uma pessoa com sintomas for encaminhada pela Linha SNS24 para um dos centros de saúde da sua área de residência, deve dirigir-se para lá em veículo próprio. Se isso não for possível, é pedida uma ambulância. Uma vez no centro de saúde, os doentes são avaliados para que se estude a necessidade de serem internados ou encaminhados para o hospital.
Caso não haja necessidade de internamento ou de um acompanhamento no hospital, os doentes são submetidos a um teste laboratorial. Esses testes devem ser realizados num laboratório de uma rede que cada agrupamento de centros de saúde cria para este efeito.
Em áreas geográficas com maior densidade populacional, podem existir várias unidades de saúde com áreas para o efeito, ou mesmo um centro de saúde para atender todos os doentes covid-19, em exclusividade.
3- Doentes graves, mas não críticos
O terceiro patamar de atendimento diz respeito às pessoas que apresentem sintomas mais graves e que devem, igualmente, ligar para a linha SNS24, para depois serem encaminhadas para uma urgência hospitalar e serem vistas por um médico e testados na altura. Os serviços de Urgência de cada unidade hospitalar terão uma área dedicada a doentes com covid-19 e enfermarias dedicadas ao seu tratamento. Os doentes que, de acordo com a Linha SNS24 ou a avaliação médica na unidade de saúde local, tenham indicação para avaliação médica nos hospitais, são encaminhados, em veículo próprio, ou em ambulância, ao respetivo serviço de Urgência. O médico que examinar o doente decidirá, depois, se é preciso seguir para o quarto patamar de intervenção, que é o do internamento.
4 – Doentes críticos
Os doentes com indicação para internamento hospitalar, serão internados em áreas dedicadas nas enfermarias ou Unidades de Cuidados Intensivos, de acordo com a estratificação do risco clínico.
Em caso de internamento, as altas médicas podem acontecer antes da recuperação.
No caso dos doentes adultos, pode ser dada alta precoce se a avaliação médica concluir que há uma evolução clínica favorável, ou seja:
se o doente não tiver febre constante há pelo menos dois dias
se não houver insuficiência respiratória nem necessidade de oxigenoterapia
se os exames demonstram que o funcionamento do sistema respiratório não está a piorar
Contudo, os critérios são diferentes, e mais apertados, para doentes pediátricos. Neste caso, só podem ter alta as crianças que:
não tenham febre constante há pelo menos três dias;
não haja sinais de desidratação;
conseguem engolir alimentos ou medicamentos por via oral;
e tiveram dois testes laboratoriais negativos feitos com 48 horas de diferença.

Fonte: Direção-Geral da Saúde (DGS)

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